25 de janeiro de 2010 - 11:25 - Por TM

Produção de energia limpa no Nordeste

Ajudando o meio ambiente: Estados Nordestinos se destacam na produção de energia limpa

Produção de energia eólica. Foto: Divulgação

Produção de energia eólica. Foto: Divulgação

Uma das principais discussões no mundo são as conseqüências do aquecimento global e como evitar as alterações climáticas que afetam todo o planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2009, realizada na Dinamarca em dezembro, foi apenas uma das reuniões envolvendo líderes globais.

A preocupação ambiental reduziu a emissão do CFC (clorofluorcarboneto), usado em indústrias e equipamentos de refrigeração, visando evitar a diminuição da camada de ozônio.

O foco agora é o crescimento limpo e sustentável; com a escalada do crescimento industrial, a emissão de CO², graças à queima de florestas e dejetos industriais, alterou o clima da Terra, e países de todo o  mundo encaram o desafio de gerarem novos meios de produção energética.

Energia Limpa
O Brasil é uma das referências mundiais no uso de energia limpa e renovável (que não se esgota ou gera poluentes, como com a queima de petróleo), que são divididas em cinco tipos:

Solar
A energia luminosa do sol é transformada em eletricidade por um dispositivo eletrônico e placas solares usam o calor do sol para aquecer água. Tem como revés a interrupção de energia à noite e em períodos de chuva e neve.

Eólica
O vento gira as pás de um gigantesco catavento, que aciona um gerador, produzindo corrente elétrica. Apesar da poluição visual e sonora, a fonte é inesgotável e a energia alcança locais sem rede elétrica.

Das Marés
As águas do mar movimentam uma turbina que aciona um gerador de eletricidade e é capaz de abastecer milhares de cidades costeiras. Infelizmente, a produção é bastante irregular por causa dos ciclos das marés, que duram 12h30.

Biogás
Transformação de excrementos animais e lixo orgânico, como restos de alimentos, em uma mistura gasosa, que substitui o gás de cozinha, derivado do petróleo. A matéria-prima é fermentada por bactérias num biodigestor, liberando gás e adubo.

O biogás substitui diretamente o petróleo, dá um fim ecológico ao lixo orgânico e os produtores rurais podem produzir e até vender o gás, em vez de pagar por ele.

Biocombustíveis

Geração de etanol e biodiesel para veículos automotores a partir de produtos agrícolas (como semente de mamona e cana-de-açúcar) e cascas, galhos e folhas de árvores, que sofrem processos físico-químicos. O Brasil está entre os maiores produtores mundiais desse meio que pode substituir diretamente o petróleo.

Foto: Blog Fejepe

Foto: Blog Fejepe

Exemplos no Nordeste

A energia limpa utiliza os recursos naturais para a produção de energia. Motivo esse o destaque do Brasil nessa produção, que tem os estados nordestinos como referências locais.

Alagoas produz 74,3% de energia renovável

O Balanço Energético de Alagoas mostra que 74,3% da produção de energia é renovável, a hidráulica corresponde a 34,7%, e a cana-de-açúcar (biomassa) com 39,5%; muito parecido com os números de consumo: 75,6% de energia renovável e 24,4% de energia não-renovável.

Segundo o secretário-adjunto de Minas e Energia da Sedec, Geoberto Espírito Santo, Alagoas está muito bem posicionada, podendo implantar, além da hidráulica existente, a ampliação da energia da biomassa (cana) e eólica. “Quanto ao bagaço de cana, o Estado está trabalhando para sensibilizar e atrair investidores para a eficientização das usinas de açúcar, gerando assim maiores excedentes de energia elétrica para o mercado”, afirma Geoberto.

O Atlas Eólico do Estado de Alagoas indicou o aproveitamento de 700 MW numa altura de 100 metros. O investimento em 1 MW em energia eólica custa R$ 5 milhões, ou seja, uma central eólica de 100 MW terias investimento de R$ 500 milhões. O custo da energia eólica é de R$ 200,00 por MWh.

Bahia receberá investimento de Chineses para energia limpa

Empresários chineses estão interessados em investir nas áreas de produção de bioenergia e agroindústria no oeste baiano.

Os investimentos serão feitos em três vertentes: energia eólica (implantação de uma usina geradora de energia e de uma fábrica de equipamentos), agronegócios (implantação de unidades de produção agrícola para consumo próprio) e agricultura familiar (unidade de esmagamento de grãos e outra de biodiesel e carvão vegetal, utilizando reflorestamento e resíduos agrícolas). A prioridade do governo chinês é produzir óleo vegetal alimentício para exportar ao país asiático.

Como o oeste baiano é o segundo maior produtor de algodão do Brasil, concentrando 96% da produção nordestina, além de ser grande produtor de soja, que podem ser usados para a produção de óleo alimentício, biocombustíveis e energia, a criação de uma área industrial na região beneficiará o aumento de aproximadamente 430 mil novos consumidores de energia até o final deste ano.

Clique aqui e leia matéria na íntegra que o TM exibiu sobre o tema.

Ceará prossegue com obras para captação de energia das ondas

Foto: Antônio Carlos/Cortesia

Foto: Antônio Carlos/Cortesia

Prosseguem as obras de preparação da área de 200 metros quadrados no quebra-mar do Terminal de Múltiplas Utilidades do Pecém (TMUT) para abrigar a usina-piloto de produção de energia elétrica a partir das ondas do mar naquele terminal portuário, devendo ficar pronta ainda este ano. O “engordamento” da uma área na parte leste do quebra-mar receberá as estacas nas quais serão montadas as pás da usina.

A previsão da Coordenadoria de Energia e Comunicações da Seinfra é de que o protótipo funcione por três anos para avaliação da tecnologia que aproveita a regularidade dos ventos e freqüência das ondas do mar no litoral cearense para a produção de energia elétrica. A produção de 100 kW é o equivalente ao consumo de 60 casas do padrão médio de consumo de energia elétrica no Estado e mesmo em fase de pesquisa gerará energia suficiente para ser aproveitada.

Paralelo à construção das usinas, Entre os programas previstos para o crescimento da agricultura familiar no Ceará em 2010, com já informado aqui no TM, o Biodiesel do Ceará receberá incentivos de produção de oleaginosas em vários territórios do Estado.

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Paraíba passa a ser um dos produtores de energia eólica no nordeste

Mesmo sem política energética definida e locais mapeados para trazer investimentos, a Paraíba já está inserida entre os cinco Estados brasileiros que mais produzem energia renovável, a chamada energia eólica, produzida pela força dos ventos.

O Litoral Norte, mais precisamente a cidade de Mataraca, representa hoje o maior investimento de energia renovável da Paraíba.  A construção do segundo parque eólico no Estado pelo grupo australiano Pacific Hydro atraiu o maior financiamento do BNDES à Paraíba no ano passado (R$ 162 milhões) por meio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) do governo federal.

Apesar de alguns incentivos fiscais do Estado, o grupo australiano informou que no primeiro parque (Fazenda Millenium), inaugurado no ano passado, foram investidos R$ 49,2 milhões enquanto o segundo, chamado de ‘Parque dos Ventos’, que será ainda inaugurado neste primeiro semestre, consumirá outros R$ 250 milhões. As 60 torres de 80 metros de altura do ‘Parque dos Ventos’ da Pacific Hydro vão gerar 48MW de capacidade instalada, o que daria para iluminar e fornecer energia para aproximadamente 60 mil residências.

Pernambuco produz energia com força dos ventos e estudos de produção a partir de lixão

Pernambuco pretende gerar com cinco centrais, por meio da força do vento, 4,25 megawatts (MW) de energia. A Empresa Eólica Tecnologia investirá cerca de R$ 110 milhões na construção das centrais que, ao todo, fornecerão 50 mil megawatt-hora (MWh) anualmente, o suficiente para abastecer uma cidade com aproximadamente 150 mil habitantes.

Paralelo a isso, parte do despejo do estado é usado pelos pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco, que transformam o lixo em energia elétrica num projeto pioneiro com tecnologia 100% nacional.

O biogás é captado através de drenos, passa por filtros e segue para a usina experimental. O sistema é o mesmo dos carros movidos a gás. Um motor de carro popular queima o gás metano e o gerador transforma a energia mecânica em energia elétrica.

A energia produzida é suficiente pra abastecer uma vila com 150 casas. Por enquanto, garante todo o consumo do aterro sanitário. A produção da usina é pequena. Se o total de 15 milhões de toneladas de lixo do aterro servissem de matéria-prima a quantidade de energia gerada poderia ser muito maior.

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Piauí se prepara para produzir energia a partir do bagaço

Bagaço de cana. Foto: Divulgação

Bagaço de cana. Foto: Divulgação

Piauí começará a produzir energia limpa gerada a partir do bagaço de cana-de-açúcar. A Comvap, unidade do Grupo Olho D’Água com sede no Piauí, já produz e fornece açúcar e álcool para boa parte do Nordeste e acerta os últimos detalhes para comercializar energia elétrica gerada pelo bagaço de cana.

Para iniciar o processo de comercialização a empresa já adquiriu todos os equipamentos necessários os quais estão em fase de testes e homologação por parte autoridades governamentais. Inicialmente, a energia a ser disponibilizada pelo grupo será capaz de abastecer uma cidade com cerca de 10 mil habitantes.

Enquanto isso, a força dos ventos do Piauí e lideranças empresariais e políticas somam esforços para a atração e instalação da maior usina eólica da América Latina, projetada para operar com 96 aerogeradores. A produção estimada em plena atividade da Usina Eólica “Atalaia”, com sede em Luís Correia, alcançará cerca de 180 MW, quantidade próxima a toda a energia gerada por Boa Esperança. Cada MW gerado é suficiente para atender ao consumo de mil residências. Sem nenhuma emissão de carbono na atmosfera.

Rio Grande do Norte mostra potencial para produzir energia eólica

O Rio Grande do Norte, até então maior produtor de petróleo em terra do Brasil, possui condições para produzir o equivalente a uma Itaipu e meia, quase duas, de energia eólica. O Brasil todo pode produzir algo em torno de dez Itaipus. O Rio Grande do Norte pode produzir não apenas a energia que precisa, como poderá exportar o excedente.

Duas matrizes energéticas são consideradas: a produzida pelos ventos e a pelo sol. A energia produzida pelos ventos, industrialmente, está num estágio mais adiantado. As áreas consideradas mais próprias para a instalação de usinas de geração de energia eólica no Rio Grande do Norte são as mais próximas do litoral. Mas ainda não existe nenhum estudo conclusivo. Não havendo, por outro lado, uma manifestação de interesses por parte do Poder Público e também não da iniciativa privada.

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Sergipe terá parque de energia eólica até 2011

Foi apresentado um projeto que anuncia que Sergipe será mais um estado brasileiro a produzir energia eólica. O parque de aerogeradores será construído no município da Barra dos Coqueiros, e terá capacidade para produzir cerca de 30 MW – energia suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes.

Este ano, uma parceria entre a Sedetec, através da Companhia de Desenvolvimento Industrial e de Recursos Minerais de Sergipe (Codise), e a Energen, garantiu a cessão do terreno onde será construído o Parque, e o sucesso do estado no leilão de energia de reserva que escolheu os projetos, do qual participaram 11 estados.

A possibilidade da produção em complementaridade entre a energia eólica e a hídrica, por exemplo, testada recentemente na barragem do município de Sobradinho, foi fator determinante para o sucesso do projeto sergipano. Além deste, fatores como a morfologia do terreno, a acessibilidade, e o baixo impacto ambiental e social da instalação do Parque também contribuíram para lançar Sergipe no mercado de produção de energia eólica. Para o presidente da Codise, Ancelmo Oliveira, sistemas de transmissão de energia confiáveis e ambientalmente responsáveis atraem o interesse de indústrias e empresas, que passam a considerar o local como bom para investimentos.

O Parque Eólico da Barra dos Coqueiros terá 15 torres de 145 metros.

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