7 de setembro de 2009 - 6:50 - Por Vitória Alcântara

Pescador de bons negócios

Sérgio Colaferri Filho, presidente da Netuno, fala dos caminhos que levam ao sucesso e dá dicas para empreendedores

Era uma vez uma peixaria num bairro de pescadores artesanais em Recife. Formada inicialmente por três sócios, que além do sonho de expandir o negócio tinham a determinação como aliada, a peixaria tornou-se em pouco tempo uma das dez maiores exportadoras brasileiras de frutos do mar, com um dos maiores faturamentos do País. O que poderia ser um conto de fadas do mundo dos negócios acontece na vida real e abre a seção Gente que Faz. Todo sábado, o leitor do portal Tendências e Mercado vai encontrar histórias de conquista, superação e descobrir alguns segredos dos empresários mais bem-sucedidos do Brasil.

No comando da Netuno, Sérgio Colaferri tem na determinação sua maior virtude. Foto: Divulgação

No comando da Netuno, Sérgio Colaferri tem na determinação sua maior virtude. Foto: Divulgação

Determinação. Essa é a palavra-chave na vida do empresário pernambucano, natural de Recife, 40 anos, casado e pai de duas filhas, Sérgio Colaferri Filho. Presidente do Grupo Netuno, hoje líder nacional na industrialização de pescados, Colaferri assumiu como sócio-diretor em 1995. Ele conta que a Netuno começou em 1989, como uma peixaria no bairro do Pina, em Recife.

“Inicialmente operando na distribuição de pescados para os estados do Nordeste, principalmente Pernambuco, conquistamos em apenas cinco anos o lugar de destaque entre os dez maiores exportadores de frutos do mar do País. Nossas incursões pelos mercados mundiais e locais têm empurrado nosso time a atingir excelência em toda a cadeia produtiva, no intuito de facilitar a vida de nosso cliente/consumidor”, conta e completa: “As experiências vividas e acumuladas têm servido para que, ano a ano, o crescimento seja nosso comum denominador. Entendemos que, num mundo moderno global, ou ficávamos na estrutura familiar ou sonhávamos em ser grandes”.

E os sonhos transformaram-se em realidade nestes 20 anos de história. Após conquistar o Brasil e mercados da América, Ásia e Europa, a Netuno uniu-se ao grupo japonês Nissui, líder mundial na industrialização de pescados, criando a Netuno Internacional, um negócio de US$ 80 milhões. A joint venture vai concretizar o projeto O sertão vai virar um mar de peixe, orçado em R$ 100 milhões. Com a sociedade, a Netuno poderá tocar o projeto que prevê a produção anual de 40 mil toneladas de tilápias e a abertura de uma unidade de beneficiamento em Belém do São Francisco, município do sertão Pernambucano. O projeto deve entrar em operação em 2011.

Hoje Colaferri orgulha-se de ter uma equipe com mais de mil colaboradores e milhares de parceiros e fornecedores em todo o mundo. “Neste caminhar temos conseguido grandes vitórias e obviamente derrotas que, sem dúvida, fazem parte do aprendizado. O importante é achar fórmulas que permitam manter a equipe motivada e lúcida para enfrentar as tarefas do dia-a-dia. Nossa missão parte com o desejo de sermos um grande player mundial em aquicultura, e estamos seguros que para isso estamos no lugar certo e na hora adequada”, afirma.

Fachada Netuno em Recife. Foto: Divulgação

Fachada da Netuno em Recife. Foto: Divulgação

O presidente da Netuno conta que a empresa já lidava com pescado, em vendas em pequeno varejo. Com o vento dos bons negócios a favor, foram surgindo novas oportunidades que fizeram da Netuno “uma grande indústria reconhecida no mundo”. Do mercado interno para o externo foi um salto. “O mercado de exportação aparece na Netuno desde o início da atividade na nossa empresa.  Existiam poucas empresas no mundo que tinham como produtos o camarão e a lagosta. Vislumbramos aí um potencial a explorar e fomos bem- sucedidos. Aliado a esse fator, ampliar o mercado deve ser uma meta de qualquer organização que tenha como objetivo o desenvolvimento sustentável em longo prazo”, afirma Colaferri.

O executivo pernambucano conta que o primeiro mercado internacional que entrou na mira dos negócios foi o americano. E explica: “Entendemos que para chegar ao mercado europeu precisávamos de investimentos na cadeia de frios, para dar maior valor agregado aos produtos. De lá para cá, nossos esforços atendem à necessidade de sair dos commodities, modificando packing, formatos e apresentação, pois a ideia é sempre atingir um diferencial que nos permita surpreender o consumidor com benefícios na praticidade e qualidade do produto final”.

Para enfrentar a crise mundial, Colaferri diz que manteve os pés no chão e lançou mão de uma de suas maiores qualidades: a determinação. Em setembro de 2008, a turbulência econômica impactou a empresa, à época focada no mercado externo, e foi preciso mudanças.  “Adaptamos a gestão do grupo às dificuldades, ora financeiras e de demandas. Nos adequamos e hoje nossa equipe está focada para os dois mercados: interno e externo. Aumentamos as energias com esta finalidade para crescer no País, em todas as regiões. Logicamente não tem sido fácil deslocar uma equipe, de mais de mil colaboradores, de uma filosofia exportadora para uma nova realidade, com diferentes demandas e necessidades”, afirma.

Nordestina, a Netuno é um dos destaques da região que mais cresce no Brasil. Para Colaferri, “além de um mercado novo em termos de consumo, a região também agrega o turismo de negócios e de lazer”, o que para o executivo agrega valor à economia. “Sem dúvida, o Nordeste tem um potencial enorme para crescer, seja em termos de PIB como também em qualidade de vida”.

Funcionários da Netuno trabalham no beneficiamento do camarão

Funcionários da Netuno trabalham no beneficiamento do camarão. Foto: Divulgação

E para quem pretende investir no mundo dos negócios, Sérgio Colaferri Filho destaca as virtudes que podem levar um empreendedor ao sucesso: “Acredito que seriedade e focar a gestão dos negócios numa visão ampla, global, investindo no capital humano, em novas tecnologias, sabendo equilibrar investimentos e custos”, além de “muita disciplina e saber aproveitar as oportunidades de uma maneira competente e perspicaz”, diz o empresário que, nas horas vagas, costuma praticar esportes, especialmente tênis. E completa: “E determinação!”.

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